Redes sociais para o setor da saúde

Como foi citado no post passado, existe uma grande oportunidade para a indústria farmacêutica nas redes sociais. Porém ainda é possível ampliar esse leque ainda mais para todo o setor de saúde.

Saúde é um tema recorrente na vida de todas as pessoas. Quem nunca procurou no Google sobre algum assunto antes de ir ao médico? Vejam só como isso acontece.

Vamos escolher 3 patologias de alta morbidade na população. Os números a seguir são referentes ao volume médio mensal de pesquisas dessas palavras no Google, no período de 12 meses, atualizado até dia 19/08/2013.

  • Hipertensão – 450.000
  • Diabetes – 13.600.000
  • Colesterol (alto) – 1.220.000

Agora no Facebook, a quantidade de pessoas que tiveram qualquer interação com as mesmas palavras, seja em alguma pesquisa, clique, ou história criada. Lembrando que não há qualquer distinção demográfica, apenas geográfica segmentada para todo o Brasil, atualizada para 19/08/2012.

  • Hipertensão arterial – 2.600.000
  • Diabetes mellitus – 11.900.00
  • Colesterol – 3.200.000

É normal que o público das pesquisas Google seja maior que o público do Facebook. Ferramentas de busca são ótimas para alcance, assim como as mídias sociais são para posicionamento e reforço. Porém como é possível ver no gráfico abaixo, ambas possuem um grande público interessado em conteúdo sobre saúde.

social x pesquisa

Algumas dicas para empresas que querem entrar nas redes sociais na área da saúde

Estudos das agencias monitoradoras da web indicam que o público das redes cresce a todo o momento.

A inclusão digital é evidente em todas as classes sociais e faixas etárias. Vejam 2 mitos importantes de serem quebrados para o setor da saúde:

1) Quem não possui computador em casa não acessa a internet

Mito, esse público frequenta lan houses ou computadores na escola/faculdade/trabalho com grande frequência semanal e tem grande presença digital.

2) Pessoas de meia idade e idosos não acessam as redes sociais

Mito, esse público esta ingressando cada vez mais nessas plataformas, principalmente no Facebook. Muitos são aposentados e tem tempo livre para essa atividade ou procuram atualização sobre as novas tendências em comunicação.

E não só isso, deixando um pouco de lado o Facebook e nos voltando para os blogs, que também são um tipo de mídia social, veja como é a presença do público de mais idade.

Os dados abaixo são referentes ao site “Minha vida”, relacionado a temas como saúde, alimentação e bem estar:

minha vida

Vamos fazer uma conta rápida: A faixa etária de 45 a 64 anos soma 18%. A quantidade de visitantes desse site para hoje (19/08/2013) é de 5,4milhões. Sendo assim o público dessa faixa etária soma 97.200, o que é um número considerável e que com certeza está gerando bons rendimentos em anunciantes para esse blog.

Além disso, esse gráfico mostra também que o público de mais idade tem tanta afinidade com o site quanto o público mais jovem.

Entrar ou não?

Para isso é necessário fazer certas perguntas:

  • O seu público acessa as redes sociais? Se sim quais? Com qual frequência?

Ter um perfil em cada rede social pode implicar em trabalho e suor gasto sem necessidade. Muitas vezes seu público pode acessar apenas uma ou duas plataformas, é importante focar no que realmente pode trazer resultado.

Você vai fazer uma pesquisa de mercado? Por que não incluir perguntas sobre o comportamento digital do consumidor?

  • É realmente vantajoso entrar nas redes sociais?

Tudo que fazemos na vida deve ter um objetivo, se não estamos andando a esmo.

Nas redes sociais é a mesma coisa. Se for para entrar é necessário ter objetivos, metas e público muito bem definido.

Pense que para você criar, por exemplo, uma página do Facebook, você vai precisar de uma estrutura, e isso implica na contratação de pessoal, contratação de ferramentas, e diversos outros possíveis gastos que são investimentos. Quando falamos em investir estamos esperando um retorno futuro, e para isso dar certo é necessário um bom planejamento.

  • Então minha empresa deve sem dúvidas entrar nas redes sociais?

Pense no caso das empresas de telecomunicações e a quantidade de reclamações e processos que elas recebem diariamente. Imaginem é o trabalho dos pobres analistas de mídias sociais; é um gerenciamento de crise integral.

Outro caso, por exemplo, é se sua empresa é um B2B que presta um serviço extremamente específico. Existe público suficiente? Qual o seu objetivo? Aumentar vendas? Vinculo com o público? Entreter? Tudo depende do seu objetivo e público.

Mesmo não tendo uma página ou perfil em uma das milhares de redes sociais ainda é importante monitorar, pois não é só por que você não está lá que as pessoas não vão falar de você. Muitas vezes é possível captar problemas e identificar oportunidades como o da J&J citado no primeiro post. (leia o primeiro post sobre o tema)

Comprometa-se com suas metas e encare os obstáculos como etapas para atingir o objetivo final. (Lair Ribeiro)

Estudo sobre Redes Sociais para a Indústria Farmacêutica

Saiu recentemente na mídia um artigo muito interessante sobre uma história da J&J.

Foi assim que aconteceu: Surgiram boatos nas redes sociais que o Tylenol (Nome comercial do paracetamol da Johnson & Johnson) apresentava riscos para pacientes com dengue.

Chamada

Esses boatos logo caíram no monitoramento de redes sociais da agencia terceirizada pela Johnsons, e logo se iniciou o reforço da mensagem que o princípio ativo do Tylenol tem a chancela de recomendação do Ministério da Saúde e da OMS no tratamento de pacientes com dengue. Os consumidores não estavam fazendo a correlação entre princípio ativo e nome comercial.

Visto a esse acontecimento surge uma pergunta:

Se é compreendido por todos que as redes sociais são hoje um canal de comunicação muito importante para empresas, como ele é abordado pelas indústrias farmacêuticas?

E a partir dessa pergunta fiz uma breve análise sobre as principais páginas de indústrias farmacêuticas, e uma de produto, cadastradas no Facebook.

Leita a notícia citada na integra: http://www.idvf.com.br/NoticiaCompleta.aspx?id=4821

Antes, um pouco sobre o novo modelo de comunicação corporativa

As redes sociais mudaram a dinâmica da comunicação coorporativa, antigamente os grandes canais de comunicação monopolizavam grande parte da informação que era divulgada. Hoje com o as redes sociais eles perderam seu monopólio.

Um blogueiro de sucesso, por exemplo, tem a capacidade de influenciar uma quantidade enorme de pessoas. Veja um exemplo disso:

Felipe Neto se tornou uma notoriedade pública e um formador de opinião principalmente entre jovens lançando o canal do Youtube “Não Faz Sentido” (veja aqui), nele é expresso seu ponto de vista pessoal sobre diferentes assuntos. Até hoje (19/07/2013) seu canal possui 175.521.718 visualizações.

Agora imagine as consequências de Felipe Neto falando mal de uma marca em um de seus vídeo, poderiam ser graves.

A indústria farmacêutica nas redes sociais

Esse estudo busca analisar 3 pontos nas páginas algumas indústrias farmacêuticas no  Facebook:

  • Qual o objetivo com essa mídia
  • Com quem elas desejam se comunicar
  • O diferencial de cada uma

Porém, antes preciso elucidar três pontos importantes:

1)      O desenvolvimento da comunicação em mídias sociais é muito dinâmico, ou seja, um conceito ou estratégia que hoje se julga adequado pode se tornar obsoleto em pouco tempo. Visto a isso os dados contidos na tabela se referem até o dia 19/07/2013.

2)      A análise se baseia apenas em páginas do Facebook que é uma rede social no meio de muitas outras. A escolha por investir no Facebook, Twitter, Pinterest ou qualquer outra rede social vai depender de muitos fatores como tipo de negócio, público, capacidade de investimento entre outros. Ser grande em uma rede não garante que essa empresa é vitoriosa nas redes sociais, pois muitas vezes ela pode investir em mais de uma ou esse tipo de canal não é tão interessante para o modelo da empresa.

3)      Procurei não focar no conceito da campanha de cada página pois elas certamente mudaram com o tempo. Ao invés disso tentei ressaltar as melhores estratégias atuais de cada uma, porém vale lembrar que elas também podem mudar.

Aché

Página

Aché Laboratórios

Categoria

Empresa: Saúde/Medicina/Farmacêuticos

Objetivo

- Informar sobre saúde
- Apresentação de produtos
- Divulgação de vagas de emprego internas

Público

Consumidor final, interessado em ingressar na empresa e médicos

Estratégias

Além da página institucional a empresa também possui páginas de seus produtos.
As páginas de produtos são marcadas em postagens na página da empresa, uma estratégia muito interessante pois assim é feita a ponte do público aumentando o alcance principalmente das páginas de produtos

EMS

Página

EMS Genéricos

Categoria

Empresa: Saúde/Medicina/Farmacêuticos

Objetivo

- Informar sobre saúde
- Reforço do posicionamento da marca

Público

Consumidor final

Estratégias

Apresentação de conteúdo sobre saúde a partir de vídeos, integrando a plataforma Youtube. Muitas páginas possuem essa linha de postagens, porém o conteúdo é apresentado em texto, imagens, ou na associação de ambos. A vantagem da apresentação em vídeos é a diferenciação: Apresentar o mesmo conteúdo, só que de uma maneira diferente pode gerar mais interesse.
Possui aplicativos personalizados vinculados a página. Esse tipo de estratégia personaliza a informação que se quer passar e reforça a marca, também podendo aumentar o alcance caso haja possibilidade de compartilhamento.Ótimo posicionamento visual, muito bem adequado a imagem institucional

Medley

Página

Medley Indústria Farmacêutica

Categoria

Empresa: Saúde/Medicina/Farmacêuticos

Objetivo

- Informar sobre saúde
- Apresentação de produtos
- Reforço do posicionamento da marca

Público

Consumidor final

Estratégias

Investem bastante em postagens sobre datas comemorativas, linha que tem bastante engajamento do público (curtir, compartilhar, comentar)
Possui uma ótima padronização visual, muito bem adequada à imagem institucional da empresa.
Também possui outra página chama Medley Farma que é sobre um projeto da empresa. Esse recurso mais interessante do que vincular o projeto na página institucional, pois uma página exclusiva permite uma visualização melhor do projeto, impedindo que ele seja ofuscado por outros conteúdos, e possivelmente também por questões de segmentação.

Dorflex

Página

Dorflex

Categoria

Produto: Saúde/Beleza

Objetivo

- Reforço do posicionamento da marca

Público

Consumidor final

Estratégias

Realizou recentemente uma ótima estratégia integrando a plataforma Youtube, em que fez um vídeo com o famoso grupo Porta dos Fundos (veja aqui). Publica mensagens através de imagens procurando empatia com os seguidores.

Conclusão

Antes de realizar esse estudo tinha a ideia que o target dessas indústrias nesse canal eram apenas médicos, farmacêuticos e profissionais de saúde. Porém com essa pequena análise já é visível que elas tem interesse em interagir, principalmente, com o consumidor final.

No meu ponto de vista isso faz muito sentido por alguns fatores:

  • As indústrias farmacêuticas já possuem canais de comunicação bem consolidados com os profissionais de saúde, como representantes, portais segmentados entre muitos outros.
  • A parcela consumidores finais de medicamentos no Facebook é muito maior do que a de profissionais de saúde, e esse canal possui grande penetração entre eles.
  • Sempre foi interessante para a indústria reforçar própria marca para consumidores finais, pois um bom posicionamento passa confiabilidade na hora da compra no PDV.

Acesse pelas imagens os endereços das páginas referidas:

ache mercado farmacêutico  EMS mercado farmacêutico  medley mercado farmacêutico  dorflex mercado farmacêutico

Continuação…

Esse assunto continua nos post seguintes.

Neles abordarei oportunidades para anunciantes em saúde, dicas para uma boa atuação em redes sociais, ente outros tópicos.

Investir em Mídias Sociais é conversa com o consumidor; É reforçar e aprimorar o posicionamento da marca.

Vejam quantas opções

Parte 3: Ritalina e Anfetamínicos – O uso e abuso dos fármacos simpatomiméticos na sociedade

O metilfenidato, mais conhecido pelo seu nome comercial Ritalina, é um derivado anfetaminico da classe dos simpatomiméticos que faz grande sucesso na nossa sociedade atual. Indicado na maior parte para crianças com déficit de atenção, e algumas desobedientes com os pais.

Não é de hoje que anfetaminas e derivados tem essa abrangência de uso.

Lembram-se dos anorexígenos femproporex, anfepramona, e mazindol? Eles eram anfetaminas usadas largamente (e excessivamente) por pessoas que queriam perder peso rápido e fácil.

Anfetamínicos

anfetamina efeitosO filme requem para um sonho retrata de uma maneira interessante o uso desse medicamento.

Ele coloca lado a lado a história de um jovem e sua mãe, um viciado em heroína e a outra em anorexígenos. A comparação é forte e ambos acabam com suas vidas, o que acaba por ser um grande questionamento sobre até onde um medicamento não pode ser semelhante a uma droga de abuso. (Trailer)

Em 2011, acompanhei o desenrolar da proibição dos anorexígenos citados acima pois todo dia saia alguma notícia sobre o assunto para ser postada no portal IDVF.

A briga entre Anvisa, conselhos, associações e sociedades era grande. E no fim das contas os anorexígenos femproporex, anfepramona, e mazindol foram proscritos, sendo mantida apenas a venda da sibutramina, porém com um controle bem mais rígido.

O assunto é tão polêmico que até ontem (27/03) saiu uma notícia sobre a sibutramina, que pelo jeito colocou um ponto final na situação. Sua comercialização foi mantida nos mesmos moldes regulatórios, e segundo afirmou o presidente Anvisa, Dirceu Barbano. “É pouco provável que as regras de controle sejam alteradas”. Veja a notícia aqui

Ritalina

É o medicamento mais popular do momento, todo dia sai alguma algo na mídia sobre ele; matérias em jornais, revistas, vídeos, documentários, posts em blogs, etc..

Toda essa popularidade é por conta dos seus efeitos na regulação da dopamina no cérebro de crianças e adultos com déficit de atenção. Porém, até hoje não se sabe ao certo seu mecanismo de ação.

A dopamina é um neurotransmissor associado à regulação do sono/vigília e também da cognição.

Dessa forma, esses efeitos do metilfenidato são muito explorados não apenas por crianças que realmente tem déficit de atenção, mas também por:

  • Pais que querem filhos mais obedientes

criança ritalinaSaiu na Veja uma matéria defendendo o uso do medicamento e colocando o DDAH como se fosse uma epidemia que pode se pegar ao sair na rua.

A máxima foi a chamada: “Rebeldia não, doença”.

Uma coisa é uma criança não conseguir se concentrar, por exemplo, na aula de matemática.  Outra é você não ter interesse pela matéria e não ter motivação para estudar.

Agora, já pensou se por acaso o pai dessa criança quer que ela seja engenheiro? Ele acaba de encontrar uma ótima maneira para que seu filho realize o seu sonho! (não o do filho, claro)

O diagnóstico do DDAH acaba sendo praticamente empírico. Basta algumas perguntas para o médico diagnosticar a doença e entregar uma receita. Porém o buraco é bem mais fundo. Veja nem rapidamente, a descrição de casos no texto da DSM-IV referente ao DDAH, são situações bem mais graves do que se vê no dia-dia.

E abrindo apenas um parêntese. É um absurdo a supermedicação infantil que vem ocorrendo nos dias de hoje. Já ouvi relatos de casos em que foi prescrito rivotril para crianças. O pior é que o impacto dessa medicação nos pequenos nós só vamos saber daqui alguns anos quando eles crescerem. Imaginem, quantas histórias de problemas com benzodiazepínicos nós já ouvimos?

  • Pessoas que querem curtir a balada

Partindo do ponto que o metilfenidato é um simpatomimético, ele tem a possibilidade de causar os mesmos efeitos das outras moléculas da mesma classe.

E um grande agente dessa classe presente nas baladas é o ecstasy, justamente um simpatomimético, porém algumas vezes mais forte.

Misturado o metilfenidato com álcool, seus efeitos e reações adversas são potencializados, podendo gerar insônia, falta de fome, náuseas, dores abdominais, dores de cabeça, tonturas, nervosismo, taquicardia e palpitações. Ou seja, os mesmos efeitos do ecstasy, metanfetamina, e outros tipos de anfetamina.

É descrito como a opção mais “saudável” para quem quer curtir a noite no extremo. Uma vez vi um depoimento de um enfermeiro que conseguia prescrição com um médico amigo, e ambos iam para a balada cheirar os comprimidos moídos. Veja a integra dessa história

Um estudo feito na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), pela psicóloga Silmara Batistela comprovou que em doses superiores a 40 mg, os participantes do estudo relataram uma sensação subjetiva maior de bem-estar. Essa sensação de bem estar é explicada mais afundo na segunda parte dessa linha de posts.

Outro parêntese: Da mesma forma que o medicamento serve para ajustar, por exemplo, a produção de uma enzima que o individuo não tem naturalmente, as drogas são uma muleta para pessoas que tem algum problema ou dificuldade e não conseguem superar sozinhas. Não se excluindo dessa história o álcool, falar que “só bebe” não vale, ele é uma droga que causa dependência e acaba com a vida de muitas pessoas a todo o momento.

  • Pessoas que querem ir bem nas provas ou impressionar no trabalho

Não é só os vestibulando e universitários que usam a medicação para ficar mais tempo acordado e atento. Pessoas que querem ter um rendimento melhor no trabalho, reuniões e situações relacionadas também fazem uso. Algumas vezes são os mesmos que saíram da balada, não tiveram tempo para dormir e precisam trabalhar.

Quem faz o uso de ritalina para essa finalidade realmente fica mais acordado, tem uma maior atenção, mais ânimo, disposição e até bem-estar para realizar as atividades. Porém estudos comprovam que o medicamento não melhora a capacidade cognitiva de quem faz uso.

Se você tem interesse sobre o assunto, veja essa notícia sobre um estudo da Unifesp que comprova isso. É o mesmo já citado acima. Clique aqui

Extra

Deixo aqui mais algumas notícias que acredito expor de maneira clara o uso abusivo do metilfenidato.

Fim da linha

Esse foi o último post sobre o tema “O uso e abuso dos fármacos simpatomiméticos na sociedade”. E para terminar ele deixo aqui o trailer do filme “Sem limites”.

É a história de um escritor fracassado que começa a usar um comprimido milagroso e misterioso, que amplia sua capacidade mental ao extremo, mudando drasticamente sua vida.

Seria esse comprimido uma ritalina hollywoodiana?

Parte 2: O uso e abuso dos fármacos simpatomiméticos na sociedade – Cafeína

Como continuação do post passado, vou descrever aqui o papel da cafeína na sociedade, seu uso abusivo, e um pouco da sua história.

Falar primeiro da cafeína é começar com algo mais “leve”. Não há restrições para o uso da cafeína na sociedade. Você pode obtê-la comprando um café, chá, refrigerante no supermercado, ou mesmo uma pílula ou comprimido na farmácia ou ervanaria.

Não é a toa que na primeira parte do séc. XX o Brasil foi uma rica monocultura produtora de café, em que trabalhavam escravos, posteriormente estrangeiros, e com os fazendeiros proprietários com tanto poder e privilégios políticos que muitos chegaram a virar presidentes. Lembram-se da política café com leite?

O problema é que por conta da cafeína ser um fármaco simpatomimético, ela causa sim dependência e muitas pessoas nem se dão conta disso.

Vamos exemplificar uma história:

café cafeínaO café coado contém 100 mg em uma xícara de 180 ml.

João consome bastante café durante o dia, e como de costume, quando acordou tomou uma xícara de café, consumindo assim 100 mg de cafeína.

O tempo de meia vida da cafeína no organismo é de 6 horas, então durante a tarde a concentração dela em seu organismo abaixou, gerando uma queda da noradrenalina e uma sensação de fadiga e depressão.

Para superar esse problema, João tomou mais café totalizando 4 xícaras no dia.

Quando chega a noite a dificuldade para dormir é inevitável. O tempo de meia vida do café é longo e como a última dose foi no final da tarde ainda há cafeína agindo no organismo  impedindo que  se atinja o sono profundo, essencial para o bom descanso.

Dessa forma, além de dormir tarde, João dormiu mal acordando cansado e necessitando tomar mais café para se sentir disposto e conseguir aquele “bem estar”. E é dessa forma que ocorre a dependência pela cafeína.

Tudo depende da dose

Quem está na área farmacêutica com certeza já ouviu a célebre frase: “Tudo depende da dose”

Como já disse aqui no blog, a linha entre droga de abuso e farmacêutica é muito tênue.

A dose influencia muito nesse quesito. Uma molécula pode ser um veneno ou um fármaco dependendo se a dose administrada está dentro ou fora da faixa terapêutica daquela molécula.

margem terapêutica

Não critico aqui o uso do café, pelo contrário, adoro um cafezinho e acredito que ele seja muito importante para a sociedade, principalmente na questão de produtividade (que escritório não tem uma maquina de café?).

Porém, é interessante se rever a quantidade usada, e se as sensações obtidas com ele não podem ser substituídas, por exemplo, por um hobbie que gere um bem estar e disposição, uma melhor organização do dia permitindo mais horas de sono, ou até mesmo um amor, que comprovadamente gera as mesmas sensações, como citado também no post passado.

Um cafezinho para colocar a conversa em dia!

Fontes:

http://www.acordeparaoproblema.com.br/medicos/pdf/flavio.pdf

http://pt.wikipedia.org/wiki/Droga_simpaticomim%C3%A9tica

http://saude.hsw.uol.com.br/cafeina2.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADtica_do_caf%C3%A9-com-leite

Parte 1: O uso e abuso dos fármacos simpatomiméticos na sociedade (E do amor também).

A linha entre droga farmacêutica e droga de abuso é muito tênue.

Nada como tomar um cafezinho pela manha certo? Ele acorda, da disposição e aquele gás inicial para começar o dia!  Mas como sabemos, muitas pessoas tomam café não só pela manha, mas sim o dia inteiro.

A cafeína contida no café é um exemplo de fármaco simpatomimético e trás consigo uma grande característica dessa classe: O grande potencial de gerar dependência.

Como a linha desse post é bem extensa vou dividir ele em 3 partes para não sobrecarregar este. Eles vão abordar o abuso e a relação da sociedade com os fármacos simpatomiméticos.

Os fármacos simpatomiméticos

mecanismo ação simpatomiméticosExemplos dessa classe são as anfetaminas, cocaína, metilfenidato mais conhecido como Ritalina, entre outros.

Veja na imagem ao lado como funciona o mecanismo de ação dos fármacos dessa classe. (clique para ampliar)

É a única classe de medicamentos que eleva a liberação de dopamina e norepinefrina (ou noradrenalina) na fenda sináptica.

Ou seja, o individuo que tomou esse tipo de fármaco fica em estado de “alerta” e acordado por conta da norepinefrina; e com uma sensação de bem estar por conta da dopamina, neurotransmissor que ativa o centro do prazer em certas partes do cérebro.

Essa classe de estimuladores possui uma longa história.

As anfetaminas por exemplo já foram usadas em guerras, a cocaína é uma droga de abuso largamente utilizada, a ritalina é o medicamento do momento prescrito para milhares de crianças (na maioria das vezes sem necessidade), o café já foi a base econômica do Brasil.

São muitos exemplos e diversos os impactos sociais dessa classe de drogas e fármacos na sociedade.

O amor também causa dependência

Estudos comprovam que quando as pessoas estão apaixonadas elas experimentam uma liberação exacerbada de norepinefrina e dopamina.

A associação desses neurotransmissores causa a aquela sensação de “flutuação” e bem estar de se estar apaixonado (se você nunca sentiu não sabe o que está perdendo).

De acordo com Helen Fisher, antropóloga e pesquisadora do amor da Universidade Rutgers, “O corpo humano lança o coquetel do êxtase do amor apenas quando encontramos certas condições e… os homens produzem esse coquetel com mais facilidade, por causa de sua natureza mais visual”.

No dizer da antropóloga ela usou a palavra “êxtase”, que curiosamente é o “apelido” de uma droga de abuso que causa o mesmo efeito. Ela é na verdade uma família de moléculas, MDxx, e abordarei isso em outro post.

Infelizmente o coquetel de neurotransmissores gerados pela paixão definha em 2 a 3 anos segundo estudos, e é quando o sentimento acaba permitindo a você enxergar o outro sem o filtro da paixão.

Mas caso o relacionamento prossiga, outros hormônios como endorfina e vasopressina entram no jogo dando a sensação de bem estar e de satisfação de um relacionamento duradouro. Sem contar a capacidade da oxitocina em manter laços afetivos, liberada quando o casal faz sexo.

Próximos posts da série

Nos próximos posts abordarei:

  • Parte 2: Cafeína
  • Parte 3: Anfetamínicos e Ritalina

 “Make love, not war” (John Lennon)

make love not war

Fontes:

http://www.acordeparaoproblema.com.br/medicos/pdf/flavio.pdf

http://pt.wikipedia.org/wiki/Droga_simpaticomim%C3%A9tica

http://saude.hsw.uol.com.br/cafeina2.htm

http://www.infoescola.com/hormonios/adrenalina/

http://pessoas.hsw.uol.com.br/amor6.htm

Por que muitas indústrias farmacêuticas possuem um mesmo medicamento como referência, genérico e similar

Semana passada estava conversando sobre o por que as indústrias farmacêuticas possuem registro de um mesmo medicamento como genérico e similar mesmo possuindo o medicamento de referência.

A meu ver, o maior motivo dessa situação é o “gargalo tecnológico” que as indústrias farmacêuticas de produtos inovadores veem enfrentando.

Gargalo Tecnológico, os Genéricos e a competitividade no PDV

O conceito é simples, as patentes das indústrias produtoras de referências estão caindo, mas não estão conseguindo ser repostas por novas.

Isso gera uma grande perda de faturamento, pois quando uma patente cai as prateleiras nas farmácias e drogarias logo ficam repletas de genéricos e similares do mesmo medicamento, só que agora com preços menores.

Foi assim o caso do Sildenafil, o Viagra da Pfizer; Assim que sua patente caiu no dia seguinte a EMS já tinha seu produto genérico nas prateleiras dos PDVs. Esse caso foi uma grande perda para Pfizer, pois já em 2010 eles haviam perdido a patente do Liptor.

Sem contar também que o investimento em pesquisa para descobrir novas moléculas é alto nessas empresas, e se eles não tiverem retorno no PDV é inviável continuar alimentando esse modelo de gestão.

desenvolvimento de novos fármacos

A Solução…

Vendo a queda em vendas dos seus produtos, essas empresas tiveram uma ótima ideia: Vamos comprar as empresas produtoras de genéricos e similares, assim temos nosso faturamento de volta.

Dessa forma não tem tanto problema em o medicamento de referência perder a briga no PDV; o mesmo medicamento produzido por uma empresa controlada vai ser comprado e a perda no faturamento amortecida.

Uma frase excelente que representa com clareza a estratégia veio do dono do grupo EMS, Carlos Sanches: “Se é para perder mercado, que eu perca para mim mesmo”. Publicada pela Época Negócios.

O grupo EMS (ainda não) produz medicamentos de referências, então não sofre as consequências do “gargalo tecnológico”. Mas essa mesma atitude de mercado tomada por uma empresa produtora de genéricos demonstra a grande competitividade do setor.

Hoje o grupo EMS é composto pela EMS genéricos, Germed, Legrand, e Nova Química.

a competitividade no pdv

Outros casos:

Nem sempre a produção de genéricos e similares vem através de aquisições. Um exemplo disso é a Novartis que possui sua própria divisão de medicamentos genéricos, a Sandoz.

Outro caso interessante é o da Bristol, que teve enfrentou o problema das queda de suas patentes se tornando mais “enxuta”. Veja a notícia aqui

Empregabilidade no Varejo Farmacêutico

Me perguntaram no Grupo Mercado Farmacêutico (clique aqui para acessar) sobre como está a empregabilidade nas farmácias e drogarias do estado de São Paulo.

Sendo assim, fui atrás de alguns dados que pudessem dar algum panorama sobre o assunto.

Não encontrei dados diretos sobre a evolução do emprego em farmácias e drogarias, mas é possível se obter uma ideia a partir de dados gerais, como emprego no Brasil, no estado de São Paulo; e dados sobre o segmento varejista brasileiro, estadual e farmacêutico.

Caso tenham mais informações sobre o assunto comentem aqui.
Vamos compartilhar esses conhecimentos!

O emprego no estado de São Paulo

O nível da ocupação (proporção de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade ativa) fechou dezembro de 2012 em 57,4%, com um aumento de 1,3% do mesmo período do mês passado.

Veja onde você se encaixa na distribuição de pessoas ocupadas por dados demográficos.

indicador ocupação demo

Rendimento médio população ocupada x Pisos salariais

O Rendimento médio real habitual da população ocupada no estado de São Paulo em dezembro de 2012 fechou em R$ 1.906,60

Em contraste a esse valor o piso salarial do farmacêutico do comércio varejista (atuante e farmácias e drogarias) no Estado de São Paulo é atualmente: R$ 1800,00

Para atendente de farmácias e drogarias o piso salarial atual está Partindo de R$ 638,58 a R$ 897,75, dependendo do “Plano de Carreira”

O plano de carreira é que garante a evolução do valor recebido, sendo representada por níveis (de I a IV). A progressão é obrigatória de nível no primeiro ano de emprego, e facultativa nos demais níveis.

Obs:

Para saber o piso das outras áreas de atuação no varejo farmacêutico veja essa publicação do SINDIFARMA (http://www.sindifarma.com.br/pdf/pasta2/reajuste2011.pdf)

Para saber sobre o piso das outras áreas de atuação do farmacêutico no geral acesse aqui

rendimento médio população ocupada x piso famacêutico

O varejo: Brasil, São Paulo, Farmacêutico

Não vou aprofundar nesse tópico pois quero fazer uma postagem mais robusta sobre o assunto, mas segue alguns dados encontrados:

Segundo uma publicação do IBGE (disponível aqui)

  • Brasil

“O Comércio varejista do País apresentou, em dezembro de 2012, na relação mês/mês anterior com ajuste sazonal, taxas de variação de -0,5% para o volume de vendas e de 1,3% para a receita nominal. Na série de volume, é o primeiro resultado negativo após seis meses consecutivos de crescimento. “

  • Estado de São Paulo

Também é indicado que no estado de São Paulo a variação em volume de vendas foi de 7,7%.

  • Farmacêutico

No setor farmacêutico varejista, na relação dezembro 2011/dezembro 2012, o segmento “Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos”, em volume de vendas obteve uma variação positiva de 3,6% no geral, e 8,7% no estado de São Paulo.

volume vendas varejo

Algumas dicas sobre empregabilidade

Para quem quer saber mais sobre empregabilidade em farmácias e drogarias, como conseguir e manter seu emprego, eu recomento esses dois links abaixo:

  • Matéria sobre empregabilidade na Revista do Farmacêutico, publicada pelo CRF-SP

http://portal.crfsp.org.br/cf/revista/revista_109/rf109.pdf

  • Curso online gratuito sobre empregabilidade em farmácias e drogarias no portal EaD Plus

http://eadplus.com.br/index.php?mod=cursos&page=view&id=17

“O prazer no trabalho aperfeiçoa a obra.” (Aristóteles)

Fontes:

- IBGE

ftp://ftp.ibge.gov.br/Trabalho_e_Rendimento/Pesquisa_Mensal_de_Emprego/fasciculo_indicadores_ibge/2012/pme_201212pubCompleta.pdf

http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/comercio/pmc/default.shtm

- PFarma

http://pfarma.com.br/

- Sindifarma

http://www.sindifarma.com.br/